DJ Ban EMC · 24 de julho de 2026
Fechou o primeiro show pago. Combinou o valor, combinou o horário, e aí vem a pergunta que trava todo mundo: o que exatamente eu peço? Pedir de menos é chegar e improvisar. Pedir demais é parecer difícil e não ser chamado de volta. O ponto certo cabe em uma página, e ele é mais simples do que parece.
Se você ainda não sabe a diferença entre os dois documentos que um artista manda, comece pelo post sobre rider técnico e rider de hospitalidade. Aqui a gente vai direto na parte prática do técnico: o que escrever, em que ordem, e por quê.
A regra que organiza tudo: preferência e alternativa
Antes de listar qualquer coisa, entenda a lógica. Cada item do rider técnico tem duas colunas na sua cabeça: o que você prefere e o que você aceita.
Um rider que só admite um modelo específico soa firme, mas fecha porta. Existem casas ótimas rodando equipamento de geração anterior, que funciona perfeitamente. Se o seu documento não deixa isso claro, a produção lê e pensa que não tem como te receber, e simplesmente chama outro.
Escrever a alternativa aceita faz o oposto: mantém o seu padrão declarado e ainda amplia onde você pode tocar. É a diferença entre "eu exijo" e "eu prefiro, e isso aqui também serve".
Os seis blocos, um a um
1 · Players e quantidade de decks
Diga o modelo que você prefere e quantos decks precisa. Dois é o mínimo para qualquer set. Três ou quatro se você trabalha com camadas, faz set longo ou usa mais de uma faixa ativa ao mesmo tempo. O CDJ-3000X é a referência atual, e o post sobre ele explica por que virou padrão. Liste também a geração anterior como aceita: ela está em muita casa boa e resolve.
2 · Mixer
Mesma lógica: o modelo de preferência e as alternativas. O DJM-A9 é o topo de linha atual e o par natural do CDJ-3000X, porque os dois conversam entre si e sincronizam informação. Se você usa efeitos ou filtros específicos de um mixer, diga isso no documento, porque muda o seu set.
3 · Monitor de cabine
O item que mais gente esquece e o que mais estraga show. Peça monitor de cabine com controle de volume próprio, independente da pista. A especificação comum é um par de 300 ou 400 watts, ajustável ao tamanho da casa. Sem monitor, você mixa pelo som que volta da pista, que chega atrasado e deformado pelo ambiente: você corrige o que já passou, não o que está saindo.
4 · Sistema de som da casa
Você não precisa especificar marca de caixa. Precisa saber se existe um operador de som durante o seu set, quem é, e se o sistema tem limitador. Essa informação evita a cena clássica do DJ achando que o som está baixo e o limitador cortando tudo por trás sem ninguém avisar.
5 · Espaço da cabine
Dê medida, não adjetivo. A referência usada no mercado é mesa de aproximadamente 1,60 m de largura por 50 cm de profundidade, a 1,20 m de altura. Sem número, "uma mesa boa" vira uma mesa de plástico de bar, e o seu equipamento não cabe.
6 · Energia
No mínimo quatro tomadas perto da cabine. Parece exagero até você contar: dois players, mixer, monitor, seu carregador. Já foram cinco. Deixe explícito que precisam estar próximas, senão você vai passar o set com uma extensão atravessando a pista.
O sétimo item que quase ninguém escreve
Política de pendrive e notebook. Parece detalhe, e é o que trava a troca de DJ no meio da noite.
Deixe claro se você toca de pendrive, de notebook ou dos dois, se precisa de placa de som, e se os players da casa vão estar em rede. Se você toca de pendrive e os players não estiverem ligados entre si, cada troca de faixa vira um transtorno. Uma linha no documento resolve.
Acrescente também um contato técnico: seu telefone, ou de quem responde por você. O técnico de som da casa precisa poder tirar dúvida antes do dia, não no dia.
Modelo de uma página
Copie a estrutura abaixo, troque pelo que é seu e mande em PDF junto com o valor. Uma página, sem enfeite.
| Artista | Seu nome artístico · duração do set · estilo |
| Players | Preferência: modelo e quantos decks · Aceito também: modelos alternativos |
| Mixer | Preferência: modelo · Aceito também: modelos alternativos |
| Monitor de cabine | 1 par, com controle de volume próprio e independente da pista |
| Som da casa | Confirmar se há operador durante o set e se o sistema tem limitador |
| Cabine | Mesa de aprox. 1,60 m × 50 cm, altura de 1,20 m, superfície firme e nivelada |
| Energia | Mínimo de 4 tomadas próximas à cabine |
| Mídia | Toco de pendrive ou notebook · necessidade de placa de som · players em rede |
| Passagem de som | Horário desejado, antes da abertura da casa |
| Contato técnico | Nome e telefone de quem responde por dúvidas antes do evento |
Três erros comuns de quem monta o primeiro
Copiar o rider de um DJ de festival. Aquele documento resolve o problema de quem viaja com equipe e produção. Copiado para uma festa de 200 pessoas, ele só faz o contratante achar que você não entende o tamanho do trabalho.
Misturar o técnico com o de hospitalidade. São documentos lidos por pessoas diferentes. Água e camarim no meio da especificação de mixer fazem o técnico de som pular a parte que interessa a ele.
Mandar depois de fechar. Rider entregue com o contrato já assinado perde a função, porque não sobra o que negociar. Ele vai junto com o valor, na mesma mensagem.
O que o rider realmente entrega
No papel, uma lista de equipamento. Na prática, cabeça livre.
Tocar bem exige atenção inteira: ler a pista, ouvir duas faixas ao mesmo tempo, escolher a próxima. É um dos estados de concentração mais completos que existem, e é de onde vem o prazer da coisa. Preocupação com equipamento rouba esse espaço à força. O rider serve para que, na hora do show, sobre só a música.
Esse tipo de conhecimento não está em manual. É ofício, e se aprende com quem já passou por isso. Na DJ Ban EMC, desde 2001, quem dá aula está na ativa, e assunto de bastidor aparece na conversa porque faz parte do trabalho. Se você ainda está montando seu setup, o post sobre equipamento de DJ profissional completo e o hub de equipamentos ajudam. E se a dúvida é quanto cobrar por esse show, veja quanto ganha um DJ.
Perguntas frequentes
O que não pode faltar num rider técnico de DJ?
Seis blocos: players e quantidade de decks, mixer, monitor de cabine com controle próprio, sistema de som da casa, espaço da cabine com medidas e energia com número de tomadas. Some a política de pendrive ou notebook e um contato técnico. Cabe em uma página.
Devo pedir só o equipamento mais caro?
Não. Peça o que você usa como preferência e liste as alternativas que aceita. Um rider que só admite um modelo fecha portas em casas com equipamento de geração anterior, que funciona bem. Listar a alternativa mantém seu padrão e amplia onde você toca.
Por que o monitor de cabine é tão importante?
Porque sem ele você mixa pelo som que volta da pista, que chega atrasado e deformado pelo ambiente, corrigindo o que já passou em vez do que está saindo. E ele precisa ter controle de volume próprio, independente da pista, senão não resolve.
Preciso de rider para tocar em festa pequena?
Sim, e é onde ele mais serve. Festa pequena costuma ser o lugar improvisado, onde ninguém pensou em tomada perto da mesa nem em monitor. Uma página junto com o valor resolve antes, e ainda posiciona você como profissional.
Aprenda na cabine que os riders pedem
Na DJ Ban EMC, desde 2001, os equipamentos dos maiores festivais do mundo chegam às salas de aula e estúdios de treino. Você aprende no que vai encontrar na casa, e aprende também como o trabalho funciona fora da cabine. Cursos de 8, 14 e 24 horas.
Falar com a DJ Ban EMCO que você leva na mochila
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